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sábado, 17 de maio de 2014

Petrobras - assuntos para a CPI - A CPI da Petrobras, instalada , vai ter muito a apurar. São apresentados alguns dos temas que poderão ser objeto de aprofundamento nas investigações


 




PETROBRÁS -  ASSUNTOS PARA A CPI

Edson Pereira,

A Petrobrás sempre foi usada por governos como instrumento político, desde a sua criação por Getúlio Vargas em 1953. Mas o loteamento da Petrobrás feito no governo Lula , mostrou que a empresa é de políticos, lobistas, doleiros e operadores de negócio bilionários. Com Lula , o aproveitamento político da empresa chegou ao seu ponto máximo, ameaçando até a capacidade de produção.

Nenhuma companhia aguenta tantas notícias negativas como está ocorrendo com a Petrobrás. O investidor americano Warren Buffet, segundo homem mais rico do mundo, costuma repetir que são necessários 20 anos para construir uma reputação e 5 minutos para destruí-la.
A Petrobrás devia ser uma empresa de respeito. Tem um corpo técnico invejável. Tem realizado feitos tecnológicos marcantes, como a exploração em águas profundas e na camada do pré-sal, mas está sendo destruída pela interferência política.

Era de se esperar que, com a descoberta do mensalão, os saqueadores se sentissem intimidados. Mas não foi isso o que ocorreu. Com o passar do tempo, a Petrobrás, com os seus contratos bilionários, virou um alvo preferencial, como se verá a seguir.
Há tempos, empresários com atuação no setor de óleo e gás já vinham reclamando, reservadamente, das barreiras a serem vencidas por quem tenta fazer negócios com a empresa. Os relatos sempre envolviam a intermediação de lobistas que, em troca de “comissões”, facilitavam o acesso ao cadastro de fornecedores da estatal.( Revista Veja, 9.4.2014, p. 60) .

A Petrobrás não foi privatizada, mas algumas de suas áreas, e seus respectivos contratos bilionários , foram repassados de forma clandestina a interesses privados. A Petrobrás foi transformada de “coisa pública”, em “cosa nostra”. Passou de produtora de petróleo para instrumento de uso político e combate à inflação, como ocorreu com a PDVSA na Venezuela.( Revista Veja, 26.03.2014, p. 50) .
Segundo Elio Gaspari:” Passaram-se 50 anos e aquilo que se chamava de infiltração comunista no governo denomina-se hoje aparelhamento do Estado pelo PT. Havia infiltração comunista na Petrobrás em 1964, houve um período de petropirataria durante o tucanato e hoje há um comissariado petista na empresa”. ( F S P , 26.03.2014, p. A-10) .

Ainda conforme assinala Elio Gaspari, não há uma “campanha negativa “ contra a Petrobrás:” Falso, o que há desde 2003, é um aparelhamento partidário, com bonificações pessoais, dentro da empresa. Aqui e ali, foram tomadas medidas moralizadoras, sempre em silêncio, até que o doutor Paulo Roberto Costa, tentando esconder sua contabilidade, foi parar na cadeia. Todos os governantes que fizeram campanhas políticas com a bandeira da moralidade, inclusive Lula, enganaram seus eleitores. A ferocidade com que o tucanato se opõe à manobra diversionista do PT para expandir o foco da CPI das petrorroubalheiras é um indicador dessa ‘compreensão’ generalizada. Os tucanos de boa memória haverão de lembrar do que foi a administração do doutor Joel Rennó na Petrobrás ( 1992-1999) . Em benefício de Fernando Henrique Cardoso, registre-se que ele herdou-o de Itamar Franco e manteve-o no cargo, atendendo ao falecido PFL”. ( F S P , 16.04.2014, p. A-8) .

Mas para a jornalista Eliane Cantanhede :” Engenheiros, técnicos, advogados , secretários e servidores de apoio da Petrobrás, porém sabem, que não há uma ‘campanha negativa’, mas fatos: controle político de preços, perda de metade do valor de mercado, dívidas astronômicas, negócios nebulosos dentro e fora do país, simbiose entre diretores e gente de péssima reputação. Eles, os funcionários, sofrem mais do que ninguém os efeitos do aparelhamento” .( F S P , 15.04.2014, p. A-2) .

A Petrobrás , centro da crise no governo, sempre foi vista pela presidente Dilma Rousseff como uma empresa a ser controlada por rédeas curtas. Segundo avaliação dos assessores de Dilma, as interferências políticas estão na raiz dos problemas gerados pela petroleira nos últimos anos.

Dilma conforme a Folha de São Paulo apurou, reclamava que os diretores da empresa tinham autonomia demais. Entre eles Nestor Cerveró e Paulo Roberto da Costa. Eles tomavam decisões sem comunicar até mesmo à presidência da empresa, em um modelo de gestão de elevado risco.

Dilma assumiu a presidência disposta a remodelar o estilo de comando da estatal. Tirou da presidência José Sérgio Gabrielli , presidente da Petrobrás durante boa parte da gestão Lula, para colocar no seu lugar um dirigente de sua total confiança, Maria das Graças Foster. Graça assumiu com a orientação da presidente de afastar os diretores indicados por aliados políticos do governo e colocar técnicos de sua total confiança. Graça fez críticas á gestão de Gabrielli, a principal com relação à refinaria Abreu e Lima, “uma história a ser aprendida, escrita e lida, de tal forma que não seja repetida”.

As críticas e mudanças de estilo de comando na estatal incomodaram aliados do ex-presidente Lula, que criticavam o que classificavam de “estilo intervencionista” de Dilma na Petrobrás. Mas a contenção de preços, estratégia para segurar a inflação, decidida por Dilma, prejudicou o caixa da empresa e levou a uma forte alta de sua dívida. ( F S P , 23.03.2014, p. A-5) .

O valor de mercado da empresa caiu em 2014 para R$ 179 bilhões, menos da metade dos R$ 380 bilhões de 2010, quando o preço do petróleo subiu e a empresa ainda festejava a descoberta do pré-sal. O motivo da perda do valor são os prejuízos causados pela manipulação de preços por parte do governo e o mal estar pelo uso político da empresa que se tornou ostensivo nos últimos anos e afastou os investidores. Segundo Ildo Sauer, diretor do Instituto de Energia e Ambiente da USP e ex-diretor da Petrobrás no governo Lula, “O governo loteia os cargos, os gestores ficam subordinados a interesses dos políticos e tomam decisões que não deveriam e não tomam as que deveriam”. Esse problema se estende a inúmeros ministérios e empresas do governo. ( F S P , 23.03.2014, p. A-8) .
No governo federal , são 25.000 cargos preenchidos por critérios de indicação política, onde o mérito e a eficiência são deixados de lado. Não há país que consiga se desenvolver com tamanha distorção. Nas empresas privadas, 100% dos cargos de direção são preenchidos tendo como critério o tempo de experiência na empresa e a eficiência do empregado.

Os gastos com pessoal da empresa aumentaram 51% em relação a 2010, o que mostra que os 90.000 funcionários da empresa devem estar muito felizes. Os empresários que fornecem produtos e serviços para a estatal , beneficiados pela cláusula que obriga a empresa a compra mais da metade dos equipamentos de exploração dentro do país também devem estar muito felizes. Artistas e ONGs que dependem das gordas verbas da empresa também estão felizes. A estatal “investiu “, apenas em 2013, R$ 520 milhões em 830 projetos sociais, ambientais e de esporte educacional e de 2010 a 2013 aumentou a sua dívida de 62 bilhões de reais para 221,6 bilhões de reais, crescimento de 237% em apenas três anos, com a produção estagnada. ( Rodrigo Constantino, ( Revista Veja, 2.4.2014, p. 92).

O Tribunal de Contas da União apontou em várias auditorias manobras jurídicas , sonegação e atraso de informações por parte da Petrobrás. O caso da refinaria de Pasadena é apenas um dos em investigação. As obras de refinarias são o principal foco de problemas. ( F S P , 30.03.2014, p. A-13) .

Desde que o governo Dilma começou em 2011, a produção de petróleo no Brasil caiu 1,5%. No mesmo período, os EUA aumentaram sua produção em 36%. ( Revista Veja, 16.04.2014, p. 60) .
A produção na bacia de Campos , a mais importante para a companhia, despencou por falta de manutenção e de equipamentos. Em consequência, há cinco anos a Petrobrás não consegue aumentar o volume produzido e portanto, em consequência, ampliar o caixa. O governo decidiu fazer política industrial com a Petrobrás, exigindo que a empresa compre de fornecedores instalados no Brasil a maior parte dos equipamentos e serviços necessários para operar no pré-sal e resultado é custo mais alto, falta de equipamentos e atrasos na entrega.
O caso mais escabroso foi o do estaleiro Atlântico Sul que foi multado pela Petrobrás por atrasar navios encomendados e por ter entregue um navio que teve que ir para reforma antes de ser utilizado, tantos eram os problemas de solda em seu casco.

Dilma tentou reduzir a interferência política na Petrobrás com a nomeação de Graça Foster, funcionária de carreira da empresa, em fevereiro de 2012, mas ao decidir transformar a Petrobrás em instrumento de controle de preços para reduzir a inflação, estrangulou a empresa. O governo turbinou a indústria automobilística com um pacote de redução de impostos , a produção de veículos novos aumentou , o consumo de gasolina acompanhou, a Petrobrás pelas interferências , corrupção e decisões políticas ficou com a produção estagnada e foi obrigada a aumentar acentuadamente as importações de gasolina e diesel a preços do mercado internacional para vender no mercado interno com os preços defasadas. Ou seja, tornou-se uma empresa capitalista às avessas . Quanto mais vende, mais perde dinheiro. O resultado em três anos foi a perda de R$ 48 bilhões , reduzindo drasticamente a sua capacidade de investimento e explodindo a dívida da empresa. O indicador que mede a relação entre a dívida e a geração de caixa aumentou de 1, em 2010, para 3,6 em 2013, quando a própria companhia recomenda que não deve ficar acima de 2,5. E vai piorar , chegando a 4 em 2014. Em comparação com as principais petroleiras do mundo como a americana Exxon-Mobil e a anglo-holandesa Royal Dutch Shell, a Petrobrás é a mais endividada e a menos rentável.

Aumentando sua dívida exponencialmente, a Petrobrás está pagando , em média, 1 ponto percentual acima do que o governo brasileiro paga para se financiar , contra 0,4% da média histórica segundo a agência Bloomberg. O seguro que os investidores podem contratar para garantir sua aplicação em títulos da Petrobrás está no maior valor desde o início de 2009. Tudo somado, o custo de captação de recursos para a Petrobrás , de acordo com a gestora Quantitas é de 17% ao ano, bastante superior à rentabilidade da empresa que está em 6,8%.

Em discurso em Pernambuco ,realizado em 14 de abril, a presidente Dilma Rousseff prometeu ao eleitorado em geral defender a Petrobrás com “todas as forças “ contra “malfeitos, ações criminosas, corrupção”. Prometeu investigar irregularidades na Petrobrás e punir com rigor os responsáveis, mas disse que não ficará “calada”, diante da “campanha negativa por proveito político” que na sua opinião é movida por seus adversários contra a estatal.

Dilma não mencionou o imenso esforço que seu governo está fazendo no Congresso para impedir a criação de uma CPI para investigar a Petrobrás. Ou seja, o discurso é um, a prática é outra.
Dilma disse que as suspeitas em torno da empresa são fatos isolados: ”Não podemos permitir [...] que se utilizem ações individuais e pontuais , mesmo que graves, para tentar destruir a imagem de nossa maior empresa, a nossa empresa mãe”. Disse ainda que os opositores “manipulam” e “distorcem” dados ao apontar a desvalorização da Petrobrás e afirmou que a empresa vale mais hoje do que quando o PT chegou ao poder, mas omitiu o fato de que ela perdeu mais de metade do valor desde a sua posse como presidente. ( F S P , 15.04.2014, p. A-4) .
Mas, como veremos adiante, há muitos assuntos para a CPI da Petrobrás investigar.

Refinaria Nansei em Okinawa
A Petrobrás comprou a refinaria Nansei, em Okinawa no Japão , decisão aprovada pelo conselho de administração da empresa, sem que o mesmo fosse informado dos riscos do investimento, da mesma forma como ocorreu na aquisição da refinaria de Pasadena. Ou seja, o caso de Nansei , aliado ao de Pasadena, demonstra que omitir informações era uma estratégia de trabalho de Cerveró e sua equipe.
Documentos internos da Petrobrás, aos quais a Folha de São Paulo teve acesso, mostram que o resumo enviado pela diretoria da estatal ao conselho, pedindo a aprovação da compra da refinaria Nansei, em Okinawa, omitiu vários riscos identificados por áreas técnicas.
Na avaliação dos funcionários, a refinaria que dava prejuízo aos japoneses, só se tornaria rentável se fosse adaptada para refinar o petróleo brasileiro, mais pesado e dobrasse sua capacidade de produção para 100 mil barris por dia, como era o caso de Pasadena, mas essa informação não foi transmitida ao Conselho.
O resumo incompleto foi preparado pelo mesmo Nestor Cerveró , que dirigia a área internacional e encaminhado ao conselho então presidido por Dilma Rousseff.
A justificativa para comprar Nansei, como no caso de Pasadena, era “expandir os negócios em mercados rentáveis no exterior”, dado o “expressivo crescimento do mercado asiático”.
Segundo os documentos internos, as áreas financeira e de estratégia, consideraram que a refinaria não era rentável porque o indicador usado para medir a expectativa de retorno na compra de uma empresa era negativo em US$ 215 milhões e o indicador só tinha chance de ficar positivo em US$ 252 milhões, se houvesse o investimento bilionário em ampliação e adaptação, como em Pasadena.
Pelo menos essa refinaria não é uma sucata como Pasadena. Foi construída em 1972.
O documento enviado ao Conselho, porém , trazia outra avaliação, feita pela área internacional, de Cerveró, para quem o negócio era rentável, mesmo sem a ampliação. Cerveró omitiu os pareceres desfavoráveis e incluiu um parecer de sua área favorável , portanto claramente direcionou a decisão do conselho.
O documento também não dizia que a legislação ambiental impedia a Nansei de produzir 100 mil barris por dia.
A área estratégica também via dificuldade para integrar a operação da refinaria com o restante dos negócios da Petrobrás, concentrados no oceano Atlântico , e alertou sobre o risco de “ter que carregar por algum tempo um ativo com baixa rentabilidade”, informação também omitida no resumo enviado ao conselho.
Mesmo assim , a aquisição de 87,5% de Nansei foi aprovada, em novembro de 2007, quando a Petrobrás era presidida por Sérgio Gabrielli e tinha a atual presidente Graça Foster, como diretora da área de gás e fechada em 2008, por US$ 331 milhões , incluindo estoques, pago à antiga dona da participação, a Tonen General , subsidiária da Exxon. A japonesa Sumitomo, detinha os outros 12,5%.
Em 2010 a Petrobrás pagou mais US$ 29 milhões pelo resto da refinaria ( 12,5%).
Devido às restrições ambientais, o investimento de US$ 1,5 bilhão em ampliação foi cancelado em 2011 e a refinaria continuou processando apenas 45 mil barris por dia de óleo leve.
A Petrobrás investiu na unidade, até hoje, US$ 111 milhões, e tentou vende-la no início de 2013, mas não conseguiu. Hoje, a refinaria é tida como “ativo não estratégico”, e a empresa diz procurar alternativas ao negócio. ( F S P, 6.5.2014, p. A-4) .


ECOGLOBAL
A Polícia Federal realizou apreensão de documentos na Petrobrás em 11 de abril de 2014. A apreensão é uma ampliação das investigações sobre lavagem de dinheiro e negócios suspeitos da empresa, um desdobramento da Operação Lava Jato.(...)

REFINARIA ABREU E LIMA
A refinaria Abreu e Lima começou a ser construída em 2007 , a um custo inicial de US$ 2,3 bilhões e término em 2010, que deve chegar a US$ 18 bilhões e deve operar apenas a partir de 2015. ( F S P , 18.04.2014, p. A-4) .
O principal protagonista do projeto da construção da refinaria é Paulo Roberto Costa,. . . 

MO CONSULTORIA
Laudo da Polícia Federal mostra que nove fornecedores da Petrobrás, depositaram R$ 34,7 milhões na conta de uma empresa de fachada controlada pelo doleiro Alberto Youssef.
A confissão de que a MO Consultoria é uma empresa de papel, que não tem atividade, foi feita por um empregado do doleiro, Waldomiro de Oliveira(...)

COMPERJ
Prometido como futuro maior polo petroquímico do país, foi reduzido a uma refinaria de combustível. O projeto encolheu, mas o orçamento passou de US$ 6,5 bilhões, para US$ 13,5 bilhões. A Petrobrás perdeu sua sócia privada a Braskem e a inauguração ficou de 2012 para 2016.(...)


TERMORIO
No final de 2013, a Controladoria-Geral da União começou a passar um pente-fino nos contratos da Alstom com a Petrobrás, uma das principais clientes da empresa francesa no Brasil.
Um dos casos refere-se ao fornecimento de turbinas para a usina térmica Governador Leonel Brizola(...)


SBM OFFSHORE
A Petrobrás vai investigar a denúncia de suborno feita por um suposto ex-funcionário da holandesa SBM Offshore, de quem aluga pelos menos oito plataformas, duas em construção. Segundo a denúncia , postada na Wikipedia em outubro de 2013, a Petrobrás seria uma das empresas para as quais a SBM teria pago propinas de US$ 139 milhões, entre 2006 e 2011( F S P , 15.02.2014, p. B(...)

OLEODUTO NO EQUADOR
Em 2003 , a Petrobrás assinou um contrato com a OCP Ecuador S.A. para usar o oleoduto para escoar a produção dos poços que vinha explorando no Equador. Mas mudanças na legislação equatoriana e a revogação de licenças ambientais impediram a continuação do trabalho nas reservas localizadas no chamado Bloco 31(...)

REFINARIA DE SAN LORENZO
A Polícia Federal decidiu abrir um terceiro inquérito sobre a Petrobrás, dessa vez para investigar a venda da refinaria de San Lorenzo em 2010, na província de Santa Fé, na Argentina. O TCU e o Ministério Público também estão investigando a operação. (...)

NOVA EMPRESA – POÇOS NA ÁFRICA
Em março de 2012, pouco depois da posse de Graça Foster, executivos que estudavam a venda de poços da empresa na África avaliaram uma proposta que projetava captar no mercado US$ 3,5 bilhões com a venda de 25% dos ativos(...)


PAULO ROBERTO COSTA
O ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto da Costa, que ocupou o cargo de 2004 até 2012, apadrinhado por um consórcio político formado pelo PP e o PMDB e que também é investigado pela Polícia Federal devido à compra da refinaria em Pasadena, foi preso em 20 de março pela Polícia Federal, na Operação Lava a Jato, (...)


TRIANGULAÇÃO
O Ministério Público está investigando uma triangulação envolvendo a Petrobras. Em 2003 , o empresário Ronan Maria Pinto teria ameaçado ,o então chefe da Casa Civil, José Dirceu , o chefe de gabinete da Presidência da República , Gilberto Carvalho e o próprio presidente Lula, em relação a segredos sobre o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel. Exigiu R$ 6 milhões. Para resolver o problema, um amigo do presidente da República teria contraído um empréstimo bancário e simultaneamente teria usado sua influência para conseguir que uma construtora ligada ao mesmo grupo empresarial do banco que fez o empréstimo ampliasse alguns de seus negócios com a Petrobrás, simulando uma prestação de serviços com o mesmo valor do empréstimo.(...)

GASTOS SEM CONCORRÊNCIA
Entre 2011 e 2013, a Petrobrás repassou a suas subsidiárias no exterior , ao menos R$ 30 bilhões para pagar equipamentos e serviços para os quais não há informação sobre a forma de contratação. Somadas às contratações no Brasil da mesma forma , o valor dos contratos sem disputa está na casa dos R$ 120 bilhões. ( F S P , 13.04.2014, p. A-10) .


CONTRATOS SEM LICITAÇÃO
A Petrobrás assinou pelo menos R$ 90 bilhões em contratos sem licitação nos últimos três anos, sem fazer qualquer tipo de disputa entre concorrentes, escolhendo , assim, o fornecedor de sua referência. O valor contratado sem licitação corresponde a 28% dos R$ 316 bilhões gastos pela Petrobrás com empresas que não pertencem à estatal ou que não são concessionárias de água, luz, entre outros. Cerca de 71% das outras compras foram feitas por meio de carta-convite , uma forma branda de controle e menos de 1% pelas modalidades normalmente adotadas pela administração pública , como concorrência e tomada de preços.(...)

APURAÇÃO DE CONTRATOS BARRADA
A Petrobrás , paralisou com liminares na Justiça 19 investigações contra supostas irregularidades em contratações da companhia que estavam em curso no TCU.
Desde 1998 a Petrobrás vinha fazendo contratações de forma mais simples que a determinada pela Lei de Licitações, baseando-se em um decreto de 1998. O TCU entendeu que era necessária uma lei específica para que a empresa contratasse dessa maneira e começou a emitir decisões que obrigavam a empresa a seguir as regras da lei das Licitações.(...)


Em 2006, a Petrobrás, após esgotar todos os recursos no TCU começou a recorrer ao STF para evitar cumprir essa determinação do TCU. Até 2010, a estatal conseguiu 19 decisões favoráveis do Supremo, de sete diferentes ministros, suspendendo os efeitos das decisões tomadas pelo TCU, mas são decisões provisórias, aguardando julgamento definitivo.
Mas as liminares acabaram tendo outro efeito. Paralisaram a apuração das irregularidades específicas do processo, muitas se relação com a forma de como o contrato foi licitado, como o caso do gasoduto Urucu-Manaus.
Desde 2010, a Petrobrás vem sendo fiscalizada pelo TCU conforme suas regras de contratação previstas no decreto de 1998. ( F S P , 5.5.2014, p. A-6) .


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quarta-feira, 2 de abril de 2014

QUEM TEM MEDO DA CPI DA PETROBRÁS?

Quem tem medo da CPI da Petrobras?

Que políticos podem perder se o Congresso investigar a corrupção
na estatal

DIEGO ESCOSTEGUY, MURILO RAMOS E LEANDRO LOYOLA, COM MARCELO ROCHA
29/03/2014 11h21
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No começo de 2004, os deputados José Janene e Pedro Corrêa, líderes do PP, estavam no saguão de embarque do aeroporto Santos Dumont, no Rio, quando esbarraram com o engenheiro Paulo Roberto Costa, funcionário de carreira da Petrobras e diretor do gasoduto entre Brasil e Bolívia. Corrêa o conhecia desde o governo Fernando Henrique Cardoso, do PSDB. A dupla do PP, que comandava o partido, estava em busca de um nome de confiança para indicar à cobiçada Diretoria de Abastecimento da Petrobras, conforme fora acordado com outra dupla, aquela dupla mais poderosa da República do Brasil naqueles tempos: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Casa Civil, José Dirceu. Os três conversaram rapidamente no aeroporto. Num átimo, Costa topou. Foi uma decisão que mudou sua vida. E que, dez anos depois, no momento em que a corrupção da Petrobras no passado alcança a fragilidade do governo Dilma Rousseff no presente, pode mudar o futuro político do país. Esse entrechoque entre passado, presente e futuro se dará na CPI da Petrobras – com o avanço do noticiário policial envolvendo a estatal, ela se tornou inevitável.

A soma do passado com o presente da Petrobras ameaça o futuro de Dilma graças à sintonia entre os interesses do blocão, aquele grupo de deputados descontentes com o governo dela, e os presidenciáveis Aécio Neves e Eduardo Campos. Os dois lados querem derrotar Dilma, cada um por suas razões. Os deputados do blocão trabalham para diminuir os votos que o PT terá nas próximas eleições, nas campanhas para deputado e senador. Temem ser obliterados pela hegemonia do PT e voltar para um Congresso cada vez mais dominado por petistas. Ou pior: nem sequer voltar para Brasília, ao perder seus mandatos para petistas. Desgastar Dilma é uma das maneiras de diminuir as chances de que eles levem uma sova eleitoral do PT. Aécio e Campos se aproveitam disso para antecipar o desgaste que tentariam aplicar a Dilma somente no segundo semestre. O início da CPI no Congresso é, portanto, o início das eleições.
 
Dilma Rousseff (Foto: Ed Ferreira/Estadão Conteúdo)
Dilma Rousseff (Foto: ÉPOCA)
Situação e oposição preparam suas estratégias. A oposição decidiu criar antes uma CPI no Senado, para depois migrar para a CPI mista e, assim, driblar a força de Renan Calheiros, presidente do Senado. Renan não tem interesse nenhum em apurações na Petrobras. É o padrinho de Sérgio Machado, há 11 anos presidente da Transpetro, o braço da Petrobras encarregado de transportar o petróleo extraído. Com a onda desfavorável – em pesquisa da semana passada, Dilma registrou 36% de aprovação, seu pior índice desde os protestos de junho  –, o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, a convenceu a pegar pesado. A estratégia do governo é anarquizar a CPI. Parlamentares do PT serão orientados pelo Planalto a apresentar requerimentos para investigar denúncias que atinjam tucanos e o presidenciável Campos. Pedirão, de modo a tumultuar os trabalhos, documentos das investigações sobre o cartel de trens nos governos tucanos em São Paulo. E, também, informações sobre as obras do Porto de Suape, em Pernambuco, Estado governado por Campos.

É uma tática de intimidação. O governo permitirá a convocação de gente da Petrobras, como a presidente Maria das Graças Foster. Mas usará sua força para marcar esses depoimentos para dias estrategicamente esvaziados. Entre as datas estudadas estão 12, 17 e 23 de junho, os dias de jogos do Brasil na Copa do Mundo – quando a atenção para a política deverá ficar abaixo de zero. Uma investigação na Petrobras é uma aventura arriscada para todos. Uma das propostas, inevitável, era investigar o contrato de US$ 860 milhões da Petrobras com a Odebrecht. Ao ver o nome, Aécio arregalou os olhos. A menção à Odebrecht desapareceu em instantes do pedido de CPI. No ano passado, o lobista João Augusto Henriques disse a ÉPOCA que o contrato rendeu doações da empreiteira à campanha eleitoral de Dilma em 2010. Ficou acertado que a CPI investigará a compra da refinaria Pasadena, nos Estados Unidos, os indícios de pagamento de propina a funcionários da estatal pela holandesa SBM, construções de refinarias e denúncias de plataformas entregues inacabadas.

A história do medo que os políticos têm da CPI pode ser contada a partir daquele encontro no aeroporto Santos Dumont. Dois de seus três participantes estão na cadeia. Costa foi preso há dias pela Polícia Federal, acusado de ser parceiro de negócios de Alberto Youssef,
um dos maiores doleiros do Brasil. Também é suspeito de receber propina de empreiteiras quando era diretor da Petrobras. Corrêa está preso desde dezembro. Foi condenado pelo Supremo, no julgamento do mensalão, a 7 anos e 2 meses de prisão, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Cumpre pena num presídio de Pernambuco. Janene morreu em 2010, antes de ser julgado pelo Supremo. O doleiro Youssef, hoje apontado como sócio de Costa, era o responsável por lavar o dinheiro do mensalão para os deputados do PP. Foi preso na mesma operação da PF que levou Costa em cana.

Se Costa não tivesse aceitado o cargo naquela conversa no Santos Dumont, talvez tudo transcorresse da mesma maneira no Planalto, no Congresso e na Petrobras. Seja lá por que razões tenha aquiescido à indicação do PP, Costa aceitou, há dez anos, ser mais um na multipartidária indústria da corrupção que define, em larga medida e há muitas décadas, a política brasileira: a arrecadação de dinheiro por meio de cargos no governo. Dinheiro sujo para financiar campanhas eleitorais. E dinheiro sujo para todos os que participam dessa indústria: donos de partidos, lobistas que criam dificuldades para vender facilidades, fornecedores do governo, doleiros que tornam viável o pagamento de propina.
    
O REPARTE DA PETROBRAS
O esquema do mensalão, em todas as suas complexas ramificações, consistiu numa tentativa de centralizar o vasto caixa nas mãos do PT. Especificamente, nas mãos do ex-tesoureiro Delúbio

Soares, que contava com a ajuda de alguns auxiliares. Era uma decisão ideológica. Para quem entendia a indústria por dentro, como o ex-deputado Roberto Jefferson, do PTB, era impossível de executar. A ideia do governo Lula era oferecer menos cargos a partidos como o PP e, em troca, manter um fluxo financeiro razoável para os aliados, por meio da dinheirama do mensalão. O esquema operado por Marcos Valério, contudo, era insuficiente para manter no azul a indústria da corrupção política. Era preciso mais. Era preciso entregar um pedaço do que todos os vários aliados do governo queriam: a Petrobras, maior empresa do país, que oferece as melhores oportunidades de negócios. Por isso o esquema coexistiu, no começo do governo Lula, com poucas, mas relevantes, nomeações de peso dos demais partidos. Paulo Roberto era uma delas.
 

Renan Calheiros e Fernando Collor (Foto: Joel Rodrigues/Frame/Folhapress e Monique Renne/CB/D.A Press)
Para aprovar o nome de Costa, Janene o levou à sede do PT em São Paulo, onde ambos se encontraram com Dirceu e Delúbio. Segundo um petista que testemunhou a reunião, Costa entendeu que, se devia a indicação ao PP, devia também, a partir daquele momento, fidelidade ao PT. Obedeceria doravante a dois mestres. Em seguida ao encontro na sede do PT, Lula recebeu, no Planalto, Dirceu e o então presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra. Dirceu apoiou a nomeação de Costa; Dutra contestou. Exaltou-se. Disse o que todos, em Brasília ou na Petrobras, sabiam: Janene era insaciável, e as operações de Costa poderiam trazer sérios prejuízos à Petrobras. Dirceu não recuou. Lula – que, alertado dos perigos do mensalão, nada fez – nomeou Costa. E repartiu politicamente os cargos na Petrobras. Deu diretorias para PT e PP, além de assegurar a presidência da Transpetro, a principal e bilionária subsidiária da Petrobras, ao PMDB. O ex-senador Sérgio Machado virou chefe da Transpetro, por indicação exclusiva do hoje presidente do Senado, Renan Calheiros. “Esse negócio de indicação (para a Transpetro) eu não tenho conhecimento”, diz Renan.

Com mensalão e Petrobras, entre outros cargos menores, os aliados pareciam finalmente satisfeitos. A descoberta do mensalão, em 2005, mudou tudo. A estratégia do PT, centralizar os financiamentos dos políticos, dera errado. Era preciso se ater aos esquemas tradicionais: cada partido cuidaria de seu caixa, por meio dos cargos que tivesse, ou que viesse a ganhar. A campanha de reeleição de Lula, em 2006, coincide com o primeiro momento da hoje infame compra da refinaria Pasadena, coordenada por Nestor Cerveró, então diretor internacional da Petrobras, indicado pelo PT e pelo PMDB. Como se confirmou há duas semanas, essa operação foi avalizada pela presidente do Conselho de Administração da Petrobras, Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil. Dilma disse desconhecer as condições do contrato que eram lesivas à Petrobras. Disse ainda que faria diferente se soubesse delas. Como tinha enorme influência na Petrobras, Dilma será obrigada, caso a CPI trabalhe seriamente, a responder pelo que se fez com a estatal durante o governo Lula.

No caso do mensalão, tudo se descobriu; no caso da Petrobras, a corrupção ficou escondida por mais tempo. Com o avançar do governo Lula e a queda de operadores poderosos como Dirceu e Janene, os executivos da Petrobras buscaram novos padrinhos. Costa se tornou o principal diretor da Petrobras, representando os interesses do PP, do PT e do PMDB. Reportava-se, nos casos da construção de refinarias no Brasil, diretamente ao presidente Lula. Lula chamava Costa de “Paulinho”, de acordo com um dos sócios de Costa. Cerveró foi substituído na Diretoria Internacional por Jorge Zelada, uma indicação do PMDB da Câmara. Conforme revelou ÉPOCA, Zelada era subordinado, na prática, ao lobista João Augusto Henriques, uma espécie de Delúbio do PMDB. Arrecadava propina, segundo ele mesmo confessou a ÉPOCA, em nome da bancada do partido. O caso é investigado pela PF e pelo Ministério Público.
   
AGENDA DUPLA
Executivos como Zelada e Costa dividiam sua agenda entre o trabalho na Petrobras e despachos com os chefes políticos em Brasília. Costa frequentava cafés da manhã, almoços e jantares organizados por parlamentares. A maioria dos encontros dava-se nos apartamentos dos ex-líderes do PP na Câmara, Mário Negromonte, que foi ministro das Cidades, e João Pizzolatti. Nessas ocasiões, Costa prestava contas sobre negócios de interesse dos deputados. Zelada fazia o mesmo. Sérgio Machado, da Transpetro, também.

Um dos muitos negócios narrados nos encontros em Brasília envolve a Jaraguá Equipamentos Industriais, empresa de Sorocaba especializada em fornecer equipamentos para refinarias da Petrobras, área de influência de Costa. Em 11 de agosto de 2010, a Jaraguá transferiu, de uma só vez, R$ 1,1 milhão para as contas bancárias das campanhas de cinco políticos do PP. Desse total, R$ 1 milhão para os anfitriões dos encontros com Costa. Negromonte e Pizzolatti ganharam R$ 500 mil cada um. Apesar de ter sido a maior doadora de sua campanha, Pizzolatti não lembra a doação. “Tenho de ver com quem fez a prestação de contas. Não lembro”, diz. A generosidade da Jaraguá foi recompensada logo depois. No dia 30 de novembro de 2010, após as eleições, ela fechou dois contratos com a Petrobras, no valor de R$ 200 milhões, para trabalhar nas obras e montagem da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Dali a quatro meses, num consórcio com a empresa Egesa, fisgou outro contrato, de R$ 337 milhões, para trabalhar no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, o Comperj. Esse contrato ainda está em vigor. Para ser aprovados, os três contratos passaram pelo crivo de Costa. Costa, afilhado do PP, interferiu na aprovação de mais de R$ 500 milhões para a Jaraguá. “Costa era nosso porta-voz na Petrobras”, diz o senador alagoano Benedito de Lira.

Casos como esse devem pulular na CPI. Ameaçam deputados e senadores do PP, do PT, do PTB, do PMDB… Os que vieram a público até o momento referem-se ao passado, àquele momento em que o mensalão secou. Quando Dilma assumiu o governo, conseguiu, para crédito dela, extirpar da Petrobras nomes como Costa e Zelada, apeados em 2012. A exceção é José Carlos Cosenza, que substituiu Costa como diretor de abastecimento. Foi uma surpresa para os técnicos da área. Cosenza era o número dois de Costa. Agia, portanto, sob as ordens dele. Todos esperavam que caísse junto. A amigos, a atual presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, confidenciou que não houve jeito. Dilma e Graça queriam demitir Costa desde o começo do governo. Pediram que o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, convencesse o PMDB a abdicar de Costa. Como o PMDB não cedesse, Lobão pediu a Costa que se demitisse. Ele não topou. Saiu demitido. Cosenza assumiu seu lugar, com o aval do PMDB do Senado.
Vander Loubet, ANDRÉ VARGAS e CÂNDIDO VACCAREZZA (Foto: Reprodução, Juliana Knobel/Frame/AE e Alan Marques/Folhapress)
ELLE VOLTOU
Dilma também não conseguiu limpar a Transpetro e a BR Distribuidora, as duas maiores subsidiárias da Petrobras. Aqui, entra o presente. Essas duas empresas ainda estão nas mãos de políticos – que correrão os riscos inerentes a uma investigação parlamentar. O ex-presidente Fernando Collor de Mello, antes inimigo do PT e de Lula, é o padrinho, desde 2009, de três diretores da BR, incluindo o presidente da empresa, José Lima Neto, que também recebeu o aval de Lobão. Em mais uma demonstração de que o tempo se recusa a passar em Brasília, Collor conquistou as diretorias da BR durante… a última CPI da Petrobras. Em 2009, o Senado criou uma comissão para investigar a estatal. Era um arremedo. Não deu em nada.

Não para Collor. Eleito senador em 2006, ele foi o representante do PTB na CPI. Ameaçava com requerimentos e queria até levar a discussão do precioso marco legal do pré-sal para a comissão. Em agosto, descia a lenha na Petrobras. Lula o chamou para conversar. E tudo foi resolvido. No mês seguinte, o Conselho de Administração da Petrobras, numa reunião em que Dilma estava presente, aprovou a nomeação de dois dos indicados de Collor. Uma terceira diretoria está sob o comando de um grupo de deputados do PT que pode ser descrito como “PMDB do PT”. Cândido Vaccarezza, José Mentor, Vander Loubet e André Vargas compõem esse grupo. Vaccarezza afirma que participou da indicação de Andurte de Barros Duarte para a direção da BR Distribuidora. “Eu e a bancada do PT. A indicação foi feita quando eu era líder”, afirma. Vaccarezza diz que Andurte não é filiado, mas tem boas relações com o PT e o conhece há muito tempo. O deputado André Vargas afirma que conhece Andurte como alguém próximo do PT, mas não se lembra da indicação. Procurados, os deputados Vander Loubet e José Mentor não foram localizados.

Com Collor, o presente nunca foi tão passado em Brasília. Segundo seis pessoas, entre eles parlamentares, lobistas e técnicos da Petrobras, o consórcio entre Collor e os deputados do PT na BR Distribuidora tem como intermediário Pedro Paulo Leoni Ramos, conhecido como PP. Ele é amigo de Collor desde a juventude. Collor foi seu padrinho de casamento. Integrava o “grupo de Pequim”, a turma de amigos que decidiu que Collor deveria ser candidato à Presidência durante um jantar na China, em 1987. Filho de um coronel do Exército, apesar da inexperiência na área, PP foi secretário de Assuntos Estratégicos no governo Collor. Era encarregado de tratar com os militares de assuntos delicados, como a extinção do Serviço Nacional de Informações (SNI), o maior órgão de espionagem da ditadura, e do programa nuclear. PP apareceu mesmo pela atuação em negócios em outras áreas. Foi acusado de coordenar no governo o “esquema PP”, que atuava na Petrobras e em fundos de pensão de estatais. Na Petrobras, funcionários eram obrigados a repassar negócios a pequenas empresas ligadas a PP. Em 1992, PP foi acusado de interferir em negócios feitos pela Previ, o gigantesco fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil.

PP é hoje dono de diversas empresas, especialmente na área de energia e consultorias. Um dos sócios em suas empresas é seu cunhado Roberto Figueiredo Guimarães. Como ele, Guimarães foi um jovem com cargo importante no governo Collor. Aos 30 anos assumiu o cargo de secretário do Tesouro Nacional, subordinado à ministra da Fazenda, Zélia Cardoso de Mello. Em 2007, Guimarães se tornou presidente do Banco de Brasília, o BRB, um dos poucos bancos estaduais ainda não privatizados. Durou pouco no cargo. Dois meses depois, foi preso pela Polícia Federal na Operação Navalha, devido a sua atuação no emprego anterior. Guimarães fora contratado um ano antes como consultor financeiro do governo do Maranhão. De acordo com as investigações da PF, ele ajudou a construtora Gautama a desviar recursos de obras para o governo maranhense. Com PP, Guimarães é encarregado de lidar com clientes da BR Distribuidora. Outro de seus sócios, Ricardo Kassardjian, é responsável por cuidar da Infra Asset Management. Kassardjian, também influente no governo Collor, intermedeia negócios da estatal com fundos de pensão.

Procurados por ÉPOCA, o senador Fernando Collor e os empresários Pedro Paulo Leoni Ramos e Ricardo Kassardjian não responderam aos pedidos de entrevista. O dono da Jaraguá Equipamentos Industriais, Álvaro Bernardes Garcia, também não respondeu. Roberto Figueiredo afirmou não ter ligação alguma com negócios envolvendo a Petrobras ou suas subsidiárias. 

quinta-feira, 23 de maio de 2013

60% dos deputados do PMDB assinam pedido de CPI contra Petrobras

Petróleo

Mais de 60% dos deputados do PMDB assinam pedido de CPI contra Petrobras

23/05/2013 | 17:28 | Folhapress

Ainda sob os efeitos da tumultuada votação da Medida Provisória dos Portos, parlamentares de nove partidos da base aliada assinaram o pedido de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a Petrobras. Ao todo, 199 deputados (28 a mais do que o número necessário) aderiram ao pedido de criação da CPI apresentado por Leonardo Quintão (PMDB-MG), Carlos Magno (PR-RO) e Maurício Quintela Lessa (PR-AL).
Na base aliada, o PMDB foi quem teve a maior adesão, com assinatura de 52 dos 82 parlamentares da bancada. O líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), que está em rota de colisão com o Planalto especialmente pela votação dos portos, não referendou o pedido.
Dos 37 deputados do PP, 26 assinaram o pedido, que também teve 13 assinaturas do PSC, nove assinaturas do PR e do PTB, três do PDT, além de duas do PSB e uma do PRB e do PC do B. Entre os independentes, três deputados do PSD também assinaram.
Há algumas semanas, parte do PMDB já tinha trabalhado pela instalação da CPI da Petrobras. A movimentação ganhou fôlego na semana passada após a bancada sair derrotada da votação da MP dos Portos. Minutos depois da Câmara derrubar uma emenda do líder do PMDB, Quintão percorreu o plenário pedindo adesão ao texto.
Na avaliação de líderes alinhados com o Planalto, a iniciativa conta com aval de Eduardo Cunha. O governo, no entanto, deve repassar para o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), a responsabilidade para enterrar a CPI.

A vantagem do governo é que a Câmara tem uma fila de 15 pedidos de criação de CPI. Uma avaliar preliminar de técnicos, porém, indica que apenas cinco dessas solicitações estão dentro das exigências regimentais para funcionar. Atualmente, estão em funcionamento na Casa duas comissões. Pelas regras, até cinco podem funcionar.

GAZETA DO POVO