Os trapalhões
25 de agosto de 2012 | 3h 09
CELSO MING - O Estado de S.Paulo
Quem pariu Mateus que o embale.
Na quinta-feira(23), o Senado do Paraguai rejeitou formalmente, por ampla maioria, a entrada da Venezuela no Mercosul.
Puxando pelos fatos: o Paraguai vinha fazendo corpo mole no processo
de aprovação da admissão da Venezuela no Mercosul. No entanto, no dia 29
de junho, na reunião de cúpula realizada em Mendoza, na Argentina, três
dos quatro chefes de Estado do bloco (Dilma Rousseff, Cristina Kirchner
e José Mujica) suspenderam unilateralmente o Paraguai das decisões do
Mercosul, sob a alegação de que a destituição de seu então presidente,
Fernando Lugo, e a posse do novo (antigo vice), Federico Franco, não
haviam seguido todos os procedimentos democráticos, na medida em que não
deram completa oportunidade de defesa.
Em seguida, sem o voto do
Paraguai, trataram de aceitar a entrada da Venezuela, cujo presidente,
Hugo Chávez, assumiu sua cadeira na condução do grupo em cerimônia de
posse realizada dia 30 de junho, no Palácio do Planalto, em Brasília.
A decisão do Mercosul foi desautorizada ontem pela assembleia da
Organização dos Estados Americanos (OEA), que não viu nenhuma
irregularidade no afastamento do presidente Lugo.
Ao fato consumado pela cúpula do Mercosul, o Paraguai respondeu agora
com outro fato consumado.
Na condição de sócio e fundador do Mercosul,
impôs seu direito assegurado pelo Tratado de Assunção de rejeitar a
entrada da Venezuela.
O que antes havia sido uma dupla farsa (a de suspender o Paraguai e a
de admitir a Venezuela), porque feita ao arrepio das disposições dos
tratados, tornou-se agora impasse diplomático e comercial de proporções e
consequências ainda desconhecidas.
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“Fazer cagada é fácil, limpar é que
são elas.”