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A ginecologista diz que o governo não trata o
médico como profissional ao oferecer bolsas para estrangeiros
Reportagem - Por Luciana Lima - iG Brasília | ULTIMO SEGUNDO
Irritada com as manifestações de apoio à chegada de médicos cubanos ao Brasil, a ginecologista Ana Célia Bonfim comparou o regime de contratação firmado pelo governo brasileiro com o governo cubano ao tráfico internacional de pessoas para fins de prostituição.'O dinheiro fica em segundo lugar', diz médico cubano
“Isso é exploração de trabalho humano. Eles
(Cuba) estão exportando pessoas. Isso é um absurdo”, disse a médica,
após se irritar com o grupo de aproximadamente 30 pessoas, que foi ao no
Aeroporto Juscelino Kubitschek, em Brasília, dar boas vindas aos
primeiros dos 4 mil médicos que devem chegar ao país, vindos de Cuba,
até o final do ano.
Assista ao depoimento da médica:
Ana Célia nasceu no Amapá. Ela é concursada do Distrito
Federal e trabalha em um hospital da Asa Norte, área central de
Brasília. A médica foi a única voz dissonante na festa de recepção dos
médicos cubanos. “Isso é palhaçada”, provocou.
“Qual a diferença entre esse médico que está sendo
exportado por Cuba e a mulher que sai aqui de Goiânia para a Espanha? A
mulher não recebe a grana dela. Não importa o que ela faz. Quem recebe é
o cafetão”, questionou.Leia mais: Ministério Público investiga legalidade da contratação de médicos cubanos Mais de 70% dos médicos cubanos vão para o Norte e Nordeste Médicos devem ficar com cerca de 25% a 40% dos R$ 10 mil que serão pagos
“A Opas (Organização Pan-americana de Saúde) é o cafetão do médico cubano”, comparou Ana Célia. A contratação dos médicos cubanos difere das demais contratações de médicos estrangeiros que vão participar do programa Mais Médicos, do governo federal. O contrato se assemelha a outros 58 contratos firmados por Cuba com outros países e prevê que os recursos serão primeiro repassados, por meio da Opas, para o governo cubano, que é comunista e portanto distribui os recursos de forma igual a toda população. Cuba ficará responsável por pagar os médicos em exercício no Brasil.
A ginecologista disse que também não se sentiu atraída pela proposta do governo para participar do programa já que não há garantias. “Quando a gente fala alguma coisa, dizem que médico é mercenário. Eu sou concursada da Secretaria de Saúde, Faz sentido eu sair do meu concurso público para fazer qualquer coisa em algum lugar?”, questionou.
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